Dois grandes chefs italianos, Renato Ialenti e Michele Petenzi, renovam duas casas, para alegria geral dos cariocas: Quadrifoglio e Alloro estão de volta em alta categoria

Uma coisa é certa: cozinha italiana de raiz apenas os italianos conseguem preparar, e para isso não basta técnica ou conhecimentos ancestrais, eles precisam de uma matéria-prima de qualidade. Isso é verdade com raras e honrosas exceções, no Rio, caso do chef Nello Garaventa, do Grado, que depois de duas visitas entrou para a minha lista de restaurantes preferidos – minha e de muita gente boa, como Ed Motta, famoso apreciador da comida italiana. Sobre o Grado, escrevo em breve.

Este post é só para dar duas notícias em uma, cujo ponto comum é o fato de serem dois chefs italianos com trabalho notável fazendo reviver dois restaurantes que estavam moribundos. O Quadrifoglio, que passou por um período meio que sem rumo, depois da saída do trio que reviveu a casa, no Jardim Botânico; e o Alloro, que literalmente renasceu: o Sá, no térreo do Windsor da Avenida Atlântica, mudou de nome, de chef e de cardápio, e agora quem comanda a cozinha é Renato Ialenti.

A história das duas casas se entrelaça de várias formas. Até o final do ano passado, Ialenti dava consultoria para o Quadrifoglio, o que já mostrava a vontade dos sócios de voltar aos bons tempos de Jardim Botânico, seja nas mãos de Silvana Bianchi seja em sua segunda fase, com o trio Kiko Faria (que passou uma temporada no Sá, atual Alloro), Lomanto Oliveira (que está no Gero) e Chiquinho (sócio da excelente Trattoria del Campo, em São Cristóvão, casa no melhor estilo MBBB, muito bom, bonito e barato, a exemplo de sua vizinha de bairro Casa do Sardo, de Silvio Podda).

Quem assumiu o Quadrifoglio do Village Mall, este ano, foi o ainda pouco conhecido (apenas aguardem) Michele Petenzi, grande cozinheiro, e uma figura divertida, que montou um belo time, ao lado do maître – também italiano – Fabio Salvia, remanescente do Quadrifoglio do Jardim Botânico.

– O grande chef Renato Ialenti está de volta, agora pilotando a cozinha do Alloro al Miramar. Ma che buono! – festejou hoje o cantor Ed Motta, em seu Instagram (@edmotta). Faço minhas as palavras dele.

Petenzi fazia jornada dupla. No almoço atuava no Satyricon, um porto seguro quando o assunto são pescados, e fez sutis mudanças no menu, em sua discreta passagem pelo restaurante de Ipanema.  À noite trabalhava no ótimo Il Borgo del Conte, ao lado do Lasai, na rua Conde de Irajá, em Botafogo, que nunca teve o merecido reconhecimento, e infelizmente fechou as portas: estive lá em duas ocasiões, e comi maravilhosamente bem, e hoje me arrependo de não ter ido mais vezes. Pena. Outra coinciência, quem também era fã do restaurante, e vivia por lá, é o meu amigo Ed Motta. Agora, assim como eu, podemos ir ao Quadfrifoglio.

Bem, estive recentemente nas duas casas, no Alloro al Miramar e no Quadrifoglio, e recomendo ambas. Além do que foi muito bom ver a cidade ganhar dois novos velhos – e queridos – conhecidos e premiados restaurantes. E termos Ialenti e Petenzi em ação.

O prato de lagostim, no ponto exato de cozimento – Foto de Bruno Agostini

No Quadifoglio provei o menu degustação, servido às quartas, onde tive o prazer de saborear pratos dignos de nota, desses que marcam uma refeição na memória, caso do lagostim com purê de batata e bottarga, dos melhores pratos que comi recentemente; e de uma carbonara perfeita (foto que ilustra a abertura deste post).

Fregola sarda com vôngoles, bottaga e pancetta, outro prato notável – Foto de Bruno Agostini

No Alloro vivi uma tarde feliz, na semana passada, justo no dia em que o chef Renato Ialenti lançava o seu novo menu – que de tão novo ainda estava na capa do Sá. Destaque, em primeiro lugar, para a fregola com vôngole e bottarga, e finalizada com uma bela lâmina de pancetta crocante, com a massa envolvida pelo saboroso caldo do molusco, prato esse que vou querer repetir sempre, e eternamente, a cada nova visita. Também fizeram bonito, para escolher apenas os preferidos, o ravióli de favas, pecorino e pancetta; o tagliatelle alla norcina, com linguiça, cogumelos e trufas negras (Norcia é famosa pela produção da iguaria) e o cherne grelhado com vieiras, servidos com alcaparras, “pappa al pomodoro” e um delicioso tempurá de legumes.

Tiramisú impecável: feito com e servido com Marsala, dos bons, como manda a regra – Foto de Bruno Agostini

Para encerrar, deixou saudades ainda o tiramisú, talvez, e muito provavelmente, a minha sobremesa preferida – e é difícil me fazer destacar um.

No cardápio encontro muitos pratos que me fazem ter vontade de voltar, começando pelo animelle (timo de vitelo) com cogumelos e polenta, com essa deliciosa iguaria, tão rara de se achar por aqui, conhecida em espanhol por molleja, em inglês por sweetbread e em francês por ris-de-veau. Já encomendei o meu…

Isso porque na próxima terça estarei lá, para uma prova de vinhos de uma bodega que eu adoro: Viñedo de los Vientos (já escrevi sobre eles neste link aqui), do adorável casal Pablo Fallabrino e Mariana Cerutti. Ô, sorte.

 

SERVIÇO
Alloro al Miramar: Miramar Hotel by Windsor, Av. Atlântica 3668 (entrada pela rua Sá Ferreira), Copacabana. Tel. (21) 2195-6200. Site

Quadrifoglio: Shopping Village Mall; Av. das Américas 3900, Barra da Tijuca. Tel: (21) 2294-1433. quadrifogliorestaurante.com.br

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