De Bar em Bar #02: Maguje, novidade no Jockey mistura – literalmente, inclusive – cervejas e coquetelaria (de alto nível)

Primeiro foi o Rubaiyat Rio, lugar não só lindo, mas infalível, bom para comer carnes e pescados, petiscos e pratos; para ver e ser visto, para apreciar a vista e a arquitetura da casa, para beber drinques, vinhos, cervejas ou algum bom destilado pinçado na lista. Depois, a Casa Camolese abriu as portas, logo ao lado, também de frente, debruçada, sobre a pista de corrida do Jockey Club Brasileiro, à esquerda das tribunas, com entrada pelo Jardim Botânico, lugar igualmente substancioso, que serve boa comida e bebida, em ambiente caprichado, com serviço e trilha sonora de primeira linha. Pois agora o lugar ganhou um reforço com perfil que podemos dizer parecido: decoração bem bonita, boa música, vista para o gramado do Hipódromo e o formoso painel de montanhas da Lagoa, de onde o pôr-do-sol muitas vezes rende belo espetáculo de cores – e isso vale para os dois anteriores também, já que o trio desfruta da mesma paisagem, e formam um atraente centro gastronômico, um achado que foi desenvolvido onde antes não havia nada, apenas ruínas e entulhos. É o Maguje, parceria da cervejaria Therezópolis com um grupo de empresários.

Assim, as torneiras de chope jorram rótulos da marca, com a IPA Jade, para mim a melhor custo-benefício da categoria no Brasil (compro a garrafa de 600 ml por R$ 12,50) – e que fica, como é comum no estilo, bem mais gostosa quando tirada direto das torneiras. Por detrás delas, aliás, estão os tanques de produção, pois ali funciona uma pequena cervejaria. Em breve haverá aulas de produção, dadas pelos cervejeiros da Therezópolis.

Laura Paravato finaliza o Daiquiri Beer, preparado com rum blanco, limão tahiti e calda de cerveja – Foto de Bruno Agostini

Mas engana-se quem pensa que o negócio ali é cerveja e ponto final. Não, não, não. A coquetelaria também tem destaque, e o bar logo à entrada é imponente, e certamente o melhor lugar para os que querem explorar a carta de drinques – que, aliás, tem alguns feitos á base de cerveja, como o chamado Maracuipa, que combina gin Beefeater, maracujá, manjericão, chope Therezópolis Ipa e calda de hibisco, e o Ramsés III, homenagem ao faraó cervejeiro, com Bourbon, mascavo, suco de grapefruit, chope Therezópolis Bock. É uma tendência, que tem até nome: brewtails (brew + cocktail). Tem, ainda, o Daiquiri Beer, feito com um blanco, limão tahiti e calda de cerveja.

Para mostrar que ali este assunto mixologia é coisa séria foi contratada uma dupla que dá show por detrás do balcão, de performance e de simpatia:  Jonny Paes e sua companheira Laura Paravato, a musa tatuada, que eram braço direito e esquerdo de Tai Barbin, no Nosso, onde já davam show desde a inauguração da casa.

O Martinez, que segue a receita clássica de 1867 do fantástico Jerry Thomaz, o pai da coquetelaria – Foto de Bruno Agostini

Ou seja, não é fácil escolher: as cervejas ou os drinques? Por ora, fico com os drinques, conheço bem as cervejas da Therezópolis. Daí, é só se entregar à dupla. Há coquetéis clássicos, é claro, e suas preparações são acompanhadas de estudo e explicação, para os interessados no tema. Notável é o Martinez, que segue a receita clássica de 1867 do fantástico Jerry  Thomaz, o pai da coquetelaria, preparado com Genever Boompjes, â gênese do gim e parte importante da fórmula original do drinque, que tem ainda Carpano Clássico, luxardo e angostura.

Red Lovers, uma boa pedida – Foto de Bruno Agostini

Já o Negroni é amadurecido em pequenos barris, que vemos sobre o balcão, assim como o Old Fashioned e o Rabo-de-Galo. Outro destaque da carta de drinques é o Red Lovers, com vodca Absolut, shrub de morango, Campari, chá de hibiscus, siciliano e Peychaud’s.

Gin Tônica são cinco: MADE IN 1820 (Beefeater, tônica, laranja e siciliano); MADE IN 1793 (Plymouth, tônica, Siciliano, zimbro); MADE IN 1857 (Seagram’s, tônica, cardamomo e siciliano); MADE IN 2017 (Amázzoni, tônica, tangerina e siciliano) e MADE IN 2006 (London 1, tônica, fatias de tangerina, hortelã).  Sim, a data em questão é o ano de fundação de cada destilaria que produz a bebida principal dos coquetéis, uma ideia simpática (o que mostra bem a preocupação da equipe com a história da coquetelaria, e seu respeito pelo assunto, a novidade do ano nesta categoria).

Para os que preferem, há uma lista de vinhos pequena, mas suficiente para os enófilos intransigentes, além de uma boa seleção de destilados, por conta do uso de bons rótulos na produção dos drinques. Mas, ok, tem champanhe Perrier-Jouet, o que é sempre bom.

Choripán no balcão – Foto de Bruno Agostini

A cozinha não decepciona, e segue a linha comida-de-boteco-bacana, o que quando bem executado costuma a dar certo, e a agradar a um público variado, missão de lugares como esse, que recebem famílias, casais, grupos de amigos. Tem pastel (de queijo Canastra e servido com chutney de tomate), pão de queijo (recheado com ragu de pernil de porco, finalizado com chutney de maçã verde ), bolinho de arroz (com linguiça artesanal e temperos da horta, servido com aioli de chimichurri), croqueta de cogumelos (Paris, shiitake, shimeji e queijo curado), choripán (sanduíche de lingüiça artesanal com aioli de pimenta biquinho e chimichurri) e burger (blend da casa, picles, queijo, alface, tomate marinado, farofa de bacon e aioli de chimichurri, com fritas batizadas com o nome do lugar), além de um irresistível harumaki de porco, recheado com rillette de joelho com repolho. Para os veganos, quinoa vermelha, abóbora, amendoim e especiarias indianas,  acompanhado de creme azedo (vegano, claro). Além de uma boa oferta de petiscos há saladas e uma série de oito pratos, comno arroz de costelinha, peixe do dia com purê de grão de bico na manteiga de garrafa e legumes tostados e peito de frango orgânico grelhado com canjiquinha de milho e quiabo crocante.

SERVIÇO
Maguje: Jockey Club Brasileiro; Rua Jardim Botânico 1003. Tel. (21) 3239-7939. maguje.com

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