Chez Claude: a casa do chef Troisgros, onde ele apresenta ao mundo uma cozinha afetiva e sua nova pupila, Jéssica Trindade

 

 

Mais à vontade do que nunca na Chez Claude, sua casa que faz um ano em dezembro, Monsieur Troisgros aproveita para apresentar ao mundo sua pupila Jéssica Trindade, que é quem está no comando da cozinha no dia-a-dia, mostrando competência e simpatia.

A dupla em ação na cozinha que é elemento central no salão – Foto de Bruno Agostini (do Instagram @brunoagostinifoto)

– Ela sabe exatamente como eu gosto de minha comida, e cozinha muito bem – elogia o chef, que sempre que a agenda permite dá expediente no salão, onde a cozinha é elemento central, dividindo o ambiente em dois, com  um balcão debruçado sobre ela. Chamar de salão até me parece exagero: são apenas cerca de 40 lugares.

O preparo dos pratos é um show, e acontece uma deliciosa interação entre os clientes e os cozinheiros, que servem os pratos. Não à toa as filas na porta acontecem diariamente.

O cardápio traz clássicos com a assinatura de Claude Troisgros, com receitas fiéis às originais ou então mudadas para se enquadrar na filosofia do restaurante, descontraído, com pratos pensados para serem compartilhados, um clima informal, caseiro e aconchegante, afinal, trata-se da Chez Claude. (para ver o cardápio, clique aqui). No menu nós podemos ler: “Experimente e compartilhe em porções menores as receitas do Chef Claude Troisgros. Sugerimos 4 pratos para 2 pessoas”. São seis entradas, sete pratos principais e seis sobremesas. Tudo parece ótimo, e mesmo enxuto é difícil escolher o que provar.

No primeiro cardápio podíamos encontrar uma versão de codorna, um dos pratos mais famosos do chef.

A arraia à belle meunière, com molho delicioso – Foto de Bruno Agostini

No momento ligeiramente mudado, e sempre mudando, hoje há acertadas releituras de clássicos da cozinha universal, como o peixe à la belle meuneière, que no caso é preparado com arraia, com resultado fantástico, de sabor e textura. Uma beleza. com amêndoas, alcaparras, batatas ao murro, que ficam impregnadas com o molho delicioso, de manteiga.

O famoso big ravióli, agora com toque de rapadura – Foto de Bruno Agostini

O chamado big ravióli está ali, mas em nova roupagem, na verdade o recheio, agora de abóbora, e com toque de rapadura, com pinoles tostados e manteiga queimada. Delícia.

– Quero que as pessoas se sintam em casa. Servir nas panelas, sentar nas mesas, bater papo. Estou servindo os meus pratos preferidos. Tô adorando isso aqui – disse ele, em minha primeira visita.

É lindo ver o chef interagindo com os clientes, sendo solicitado e sendo solícito, tirando fotos, dando autógrafos, dando e recebendo beijos e abraços. Que lugar legal. Que clima bacana. Que marravilha!

Na segunda visita, um almoço fechado, ele não estava, mas na cozinha ele não fez falta. Porque lá estando ele, ou não, quem comanda mesmo os fogões é a Jéssica. Mas quando ele está ele participa, prova os molho, passeia pelas mesas, bate papo com os clientes, sugere pratos, os finaliza e os serve.

Entre os destaques do menu é o chamado “Ovos e ovas”, um clássico revisitado, em nova roupagem (a foto de abertura deste post). Antes, no Olympe, havia um brioche junto, achei agora mais leve e delicado, com a farofinha crocante, de pão.

A cada noite podem entrar sugestões que não estão no cardápio. Na primeira visita havia ostras gratinadas.

Lagostins e palmito, combinação certeira – Foto de Bruno Agostini

Entre as entradas, além do big ravióli podemos pedir um delicioso lagostim com fetuccini de palmito, em caldo oriental. Para comer de colherada, a textura explosiva do crustáceo, a espuminha leve e cheia de sabor…

O tartare com corn flakes: coma logo – Foto de Bruno Agostini

Outro acerto na etapa inicial é o steak tartare, muito bem temperado, e que tem como elemento crocante corn flakes. Funcionou, mas tem que comer rápido para os flocos de milho não amolecerem, o que francamente não é nada difícil. Mas não peça nada junto: dedique-se a ele, por inteiro.

Vieiras com cardoncello, ótima pedida – Foto de Bruno Agostini

Também recomendo as vieiras, com cardoncello e macadâmia.

Entre os pratos principais está delicioso o arroz de polvo, com chorizo, bacon, azeitonas e tomates confitados.

E também vale provar uma combinação inusitada, colocando o chocolate em receita com carne, algo comum no México e até na França (lapin au chocolate é receita clássica): trata-se de robusto rigatoni, servido com carne assada ao molho de chocolate

Entre os principais encontramos, ainda, um peixe com banana, combinação histórica da família Troisgros.

Outro prato famoso, talvez até o mais conhecido de todos e também dos mais antigos, criado em 1982 no Roanne, primeiro restaurante de Claude, a poucos passos dali, na mesma galeria da rua Conde Bernardotte, no Leblon. É o crepe suflê de maracujá.

Versão desconstruída e delicada do mil folhas – Foto de Bruno Agostini

Também há uma delicada montagem, o mil folhas de framboesa.

É, sem dúvidas, além de delicioso, dos melhores lugares da cidade. Sem medo de errar, eu digo; é o restaurante mais divertido de todos.

SERVIÇO
Chez Claude – Rua Conde de Bernadotte 26, lojas Q e R, Leblon. Tel. (21) 3579-1185.

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s